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Allonda é notícia na Revista TAE por ser referência em de tratamento de lodo

Mercado de tratamento de lodo tem boas perspectivas

Embora recente, o mercado tem olhado para o lodo com outros olhos. O rejeito resultante das Estações de Tratamento de Água (ETAs) e Efluentes (ETEs), chamado de lodo, além de começar a ser tratado, vem ganhando valor econômico e novas utilidades a cada dia.

Toda estação de tratamento de água ou efluentes gera este tipo de rejeito, e antes de ser descartado, precisa passar por um tratamento para redução da quantidade de água e consequentemente de tamanho/peso para facilitar o seu descarte adequado.

Audri Lanza, engenheira química e gerente de engenharia da Allonda, traz a definição de lodo. “O lodo nada mais é do que substâncias que se aglomeram e precipitam após a ação de reações físico-químicas ou somente físicas como a sedimentação. Pode ter origem em diversos processos, como tratamento de água, tratamento de esgoto, ou tratamento de um afluente industrial”.

Assim, em uma ETA, por exemplo, é um resíduo constituído de água e sólidos suspensos somados a produtos dos reagentes aplicados nos tratamentos da água. Já em uma ETE, é uma mistura sólida e semi-sólida de substâncias orgânicas e inorgânicas, tem aspecto desagradável e mau cheiroso, elevada concentração de água (95%) e trata-se do principal subproduto do tratamento de efluentes.

O principal objetivo do tratamento de lodo é gerar um produto mais estável e com menor volume para facilitar seu manuseio e, consequentemente, reduzir os custos nos processos subsequentes. Elias Takeshi Matsuo, engenheiro de processos da Paques, ressalta que “o lodo de ETA e ETE não pode ser lançado em corpos d’água ou no solo sem o consentimento dos órgãos ambientais e de controle da poluição, por causarem impactos ambientais. Se lançado em corpos d’água, há impactos relacionados à alteração da qualidade da água e à transmissão de doenças de veiculação hídrica”.

Além da preocupação ambiental, Luiz Gustavo B. Escobar, diretor da Allonda, fala sobre o cumprimento de legislações específicas sobre o assunto. “O gerador é sempre o responsável por tratar o efluente e destinar os resíduos conforme a legislação ambiental vigente, caso contrário é crime ambiental. Portanto, tratar o lodo não é uma escolha, ou apenas uma necessidade das empresas. É uma questão de legislação”. Escobar afirma que “visivelmente estimulada pela regulação ambiental internacional, a intensificação da legislação de meio ambiente no Brasil traz um arcabouço legal com desdobramentos nos âmbitos federal, estadual e municipal”. Segundo ele, as principais leis que servem como referência são: a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/1981), Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), Lei de Educação Ambiental (n° 9.795/1999), Lei de Licenciamento Ambiental (n° 6.938/1981) e o Conama 01/1986.

Segundo os especialistas, todos os sistemas de tratamento de esgotos geram resíduos: escuma, material gradeado, areia, lodo primário e lodo secundário. A disposição desses subprodutos depende do teor de sólidos presente nos resíduos, já o material gradeado, a escuma e a areia devem seguir para disposição final em aterro sanitário. Por sua vez, os lodos primários e secundários necessitam de tratamento antes da disposição final. É a resolução 375, de 30 de agosto de 2006, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que define os critérios a serem seguidos para a utilização do lodo. Os tipos de tratamento são baseados em consonância com o objetivo pretendido, mas estão divididos em adensamento, estabilização, desaguamento, secagem térmica e incineração.

Audri Lanza, explica sobre os tipos de tratamento. “O intuito do adensamento é concentrar o lodo (a parte sólida) para facilitar o seu posterior deságue. Esse tipo de tratamento pode ser feito através de Geotube, torre de desidratação, filtro-prensa, centrífuga ou através de outras tecnologias. O adensamento é feito antes do desaguamento, são processos distintos. O adensamento concentra o teor de sólidos e o desaguamento reduz a umidade contida no lodo”. E continua. “A incineração de lodo é uma das técnicas utilizadas principalmente quando o resíduo possui voláteis ou ainda características de alto poder calorífico. Já a estabilização é um tratamento para redução de matéria orgânica, muito usada em tratamento de esgoto, com lodos ativados.”

Takeshi explica que “normalmente, os resíduos sólidos de ETA e ETE, após o desaguamento, podem ser enviados a Aterro Sanitário para resíduos classe II A. Em tais aterros sanitários, exige-se que o teor de sólidos seja no mínimo de 20%. Alguns aterros já estão exigindo pelo menos 30%. O adensamento do lodo ocorre previamente ao desaguamento e estabilização.

O engenheiro explica que o lodo de ETA difere-se do lodo de ETE em sua natureza, pois enquanto o lodo de ETA é de origem inerte e rica em precipitados de sais metálicos, o de ETE é rico em material orgânico. Entretanto, quando o objetivo final é somente o desaguamento para posterior disposição em aterro sanitário, o processo em ambos os casos é bastante parecido.

Segundo ele, a secagem térmica normalmente é viável somente após o desaguamento e tem por finalidade reduzir ainda mais o peso e volume do lodo. Isto reduz custos com transporte e disposição final. “Este processo é altamente eficiente na eliminação de microrganismos, podendo viabilizar outras formas de disposição dos resíduos, como por exemplo, a aplicação no solo”, e lembra que para disposição de lodo no solo é necessário fazer Licenciamento Ambiental.

Daniel Barreto, engenheiro civil e gerente comercial da Allonda, ressalta que a escolha pelo melhor tratamento do lodo deve levar em consideração suas características. “A NBR 10.004 classifica os resíduos sólidos conforme o processo ou atividade que lhes deu origem, ou seja, a fonte geradora. É dessa forma que se é entendida as características do lodo e então é determinado o tratamento que deve ser feito. Portanto, a diferença entre os tratamentos, bem como a indicação de qual tipo utilizar, é justamente a classificação do resíduo”. Segundo ele, é necessário primeiro entender o processo que gera o lodo, classificar o resíduo conforme a NBR 10.004, para então determinar a técnica de tratamento. E ainda lembra que a definição sobre a destinação do lodo tratado deve seguir a NBR 10.005 e 10.006.

Mesmo com diversas alternativas e tecnologias disponíveis no mercado, a destinação adequada de lodo continua sendo um desafio tanto do ponto de vista técnico quanto do econômico. Takeshi acredita que a destinação final de resíduos encontra dois obstáculos principais: custo e complexidade da operação. Ele explica. “A contaminação de mananciais e o lançamento de despejos não domésticos são fatores que refletem diretamente na operação, podendo exigir alguma forma de tratamento do lodo além do desaguamento. Além disso, a presença de substâncias tóxicas reduz as opções de reaproveitamento do lodo. Em estações de tratamento de pequeno porte, os equipamentos para o tratamento do lodo possuem tecnologia, em muitos casos, mais complexas do que os empregados no tratamento da fase líquida, além de exigir manutenção e operadores mais especializados”.

A engenheira Audri Lanza, afirma que “a questão mais importante atualmente, no Brasil e no mundo, é como dar o fim mais adequado para os resíduos, ou evitar que ele seja gerado, ou ainda que esta geração diminua. Soluções há diversas. As dificuldades das empresas podem, na realidade, ser respondidas com perguntas como: o lodo poderia ser aproveitado dentro do próprio processo da indústria? O lodo poderá ser gerado em menor quantidade na indústria, mantendo a qualidade do efluente tratado?”

O diretor Luiz Gustavo B. Escobar, também da Allonda, complementa: “A principal dificuldade é encontrar fornecedores que tenham conhecimento do mercado e estejam dispostos a gerar uma solução específica para a realidade da empresa. “Isso porque existem inúmeras formas de destinação, conforme a realidade de cada companhia”. Para ele, é necessário que os contratantes tenham disposição para conhecer novas tecnologias, ou seja, deem oportunidade e abertura para novas tendências e soluções, e procurem uma empresa responsável e especializada para lhes ajudar”.

Segundo o Programa de Pesquisas em Saneamento Básico (Prosab), o processo de tratamento é complexo, além de representar 20% a 60% dos custos de operação de uma ETA/ETE (estação de tratamento de água ou de esgoto). Para driblar a dificuldade em questão, as empresas traçam diferentes estratégias.

Takeshi explica que o que encarece a operação de tratamento do lodo é o consumo de produtos químicos, a energia consumida e a manutenção dos equipamentos. Para ele, “é importante avaliar o projeto para o tratamento de lodo considerando os custos com transporte e disposição final, que normalmente são mais altos que os custos de operação”. O engenheiro conta que a Paques lida com a questão do tratamento do lodo com o foco no desenvolvimento de tecnologias de tratamento de efluentes que além de apresentarem baixo consumo de energia elétrica, geram uma quantidade muito menor de lodo excedente. E exemplifica. “Para efluentes com alta carga orgânica, temos tecnologias com processo anaeróbio de alta taxa, cujo lodo produzido é granulado e de alta capacidade de conversão de matéria orgânica carbonácea em biogás rico em metano. Este lodo possui alto valor agregado e a sua demanda é bastante alta, não representando um ônus e sim um bônus. Para o tratamento de esgoto, disponibilizamos um reator que combina quatro processos de tratamento em um único tanque, sendo o anaeróbio, o aeróbio, a decantação e o tratamento biológico do biogás. Não há consumo de produtos químicos no processo de tratamento e o lodo gerado já é estabilizado, sendo encaminhado diretamente para o desaguamento”. O engenheiro explica que o principal foco das novas tecnologias em desenvolvimento na empresa é a recuperação e obtenção de materiais valiosos a partir dos resíduos dos efluentes, tais como o biopolímero e bioenxofre, dentre outros.

Daniel Barreto, engenheiro civil e gerente comercial da Allonda defende que a empresa precisa conhecer com profundidade a necessidade da Estação de Tratamento para então montar o projeto embasado e da forma mais factível possível, do ponto de vista da solução e do custo. “Por isso que a Allonda está buscando sempre novas tecnologias e possui uma carteira de fornecedores engajados, para que nossos serviços estejam dentro da expectativa dos clientes em resultados e negociação”.

Audri explica sobre o processo. “Tratar água e esgoto é relativamente fácil. A dificuldade maior está em tratar efluentes industriais que exigem conhecimento de técnicas adequadas e eficientes. Numa operação de tratamento há diversos fatores envolvidos, que incluem a mão-de-obra direta e indireta, manutenção dos equipamentos e dos instrumentos, tubulação, do consumo de produtos químicos, da logística, entre outros aspectos. Hoje sabemos que os maiores custos de uma estação de tratamento são os operacionais como produtos químicos, mão-de-obra e logística. Portanto, são principalmente esses indicadores que devem ser monitorados constantemente pelas empresas e fornecedores”.

Mas o tratamento de lodo pode gerar lucro também, pois podem ser destinados para diversas funções. Takeshi fala sobre algumas delas. “Com o tratamento adequado, o lodo da ETE pode ser aplicado no solo, por ser rico em Nitrogênio e Fósforo, além de melhorar o condicionamento do solo por ter alto conteúdo de matéria orgânica. O lodo da ETA possui alto teor de material argiloso e mineral, com potencial para ser usado como insumo na fabricação de materiais de construção”.

Foi o caso do “tijolo ecológico” da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Com o objetivo de contribuir para a redução da extração de argila, usada na fabricação de tijolos, nas jazidas, aumentando sua vida útil e diminuindo os impactos ambientais da atividade, além de evitar o envio do lodo para aterros, a companhia desenvolveu o produto, que obteve o melhor resultado percentual em nível nacional na produção do material, com massa produzida de até 15% de lodo extraído das ETAs., segundo o Instituto de Tecnologia de Pernambuco. O Itep avaliou a resistência, permeabilidade e durabilidade, entre outros requisitos técnicos e de qualidade. A empresa possui um inventário com a quantidade de lodo produzido e planejamento da logística de remoção e distribuição do sedimento, além de parcerias com olarias. Os tijolos têm fins comerciais para construção civil.

Audri Lanza, afirma, no entanto, que o uso deste material “deve ser sempre muito bem estudado e avaliado”. E lembra que outra aplicação é o uso como matéria-prima dentro do processo da própria indústria geradora, fazendo o co-processamento de parte do resíduo com parte da matéria prima, uma das especialidades da empresa em que trabalha.

Como começar o tratamento do lodo?

Para a empresa que deseja se adequar às leis e garantir o tratamento do lodo, ajudando a preservar o meio ambiente, o engenheiro Daniel Barreto, explica o passo-a-passo. “O ideal é que as empresas abram processo de orçamento com especificações detalhadas e solicitem visitas técnicas dos fornecedores. Procurar uma empresa especializada, com ampla experiência e certificações, nesse momento importante de início de projeto, faz toda diferença. A Allonda, por exemplo, possui modalidades contratuais flexíveis e conhece com profundidade esse mercado. Isso facilita, e muito, as tomadas de decisões dos nossos clientes”. A empresa conta com mais de 500 projetos executados, implantados e gerenciados. “Encaramos cada novo projeto como um grande desafio, independente do porte do cliente ou grau de dificuldade da planta”.

Elias Takeshi, da Paques, também defende um diagnóstico preciso da operação da empresa, “devendo conhecer cada parcela do gasto com o gerenciamento de lodo, como por exemplo, o consumo de produtos químicos, os equipamentos para o tratamento de lodo, a mão-de-obra utilizada, o transporte e a disposição final”, mas lembra que deve-se avaliar também se as práticas adotadas estão em conformidade com a Legislação vigente.

“A Paques atua preventivamente, ou seja, atua na minimização da geração de resíduos, através de tecnologias para o tratamento da fase líquida. No caso de uma ETE, a solução poderia ser a integração de uma planta existente através da implantação de reatores, que de imediato promovem a redução de consumo de energia e redução da produção de lodo, baixando o custo operacional da ETE”. Ele conta que a empresa possui um corpo técnico para desenvolver soluções completas, além de possuir unidade fabril para fornecimento de equipamentos e fazer a montagem e pré-operação da planta completa para o tratamento de efluentes, incluindo o tratamento do lodo.

Perspectiva de mercado

A perspectiva das empresas que trabalham com o tratamento e destinação adequada do lodo são otimistas. Segundo Takeshi, as práticas relacionadas ao tratamento e disposição do lodo tem evoluído no mesmo ritmo da melhoria das condições sanitárias da população. “Hoje já é exigido alguma forma de estabilização ao lodo primário de ETE antes de seu desaguamento e disposição final. O lodo da ETA também passou a ter mais exigências relacionadas ao seu gerenciamento”. Ele lembra que no passado, era muito comum o lançamento deste lodo diretamente no corpo receptor, sem tratamento. O engenheiro aposta no tratamento e o desaguamento do lodo na própria ETE / ETA com a ascensão de tecnologias visando o aproveitamento e valoração deste resíduo.

Daniel Barreto, afirma que o setor no Brasil tem potencial, principalmente no quesito lodo de ETAs. “Há uma demanda muito grande de Estações de Tratamento de Água que ainda não possuem nenhum tipo de tratamento de lodo e acabam lançando seus rejeitos diretamente nos corpos hídricos. Essa prática está aos poucos mudando, pois conforme a legislação vigente se institui, automaticamente a fiscalização e exigência aumentam. Ou seja, esse mercado é sim muito promissor.

Já os lodos de ETEs ou ETDIs (industriais) são melhores atendidos, porém ainda faltam soluções com menor consumo energético e performances melhores. O mercado hoje ainda é dominado por soluções mecanizadas que possuem altas taxas de manutenção e consumo energético elevadíssimo.

Luiz Gustavo B. Escobar, também da Allonda, conta que “segundo dados da Agência Nacional de Desenvolvimento Industrial, o mercado de resíduos industriais – do qual o tratamento de lodo faz parte – cresce em média 15,46% ao ano. Há, portanto, muito potencial para o segmento como um todo, principalmente para o desenvolvimento de novas tecnologias e soluções a custos cada vez mais factíveis para a realidade de quem fabrica e de quem compra ou aluga equipamentos”.

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