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Gestão de Água

Revista Fundações e Obras Geotécnicas noticia tecnologia da Allonda

 

Allonda desenvolve equipamento inovador para desidratação de lodo

Em formato de torre, unidade tem baixo consumo de energia e exerce simultaneamente as funções de contenção de sólidos e drenagem de líquidos.

Por Tatiana Duarte

Processos de desaguamento de lodo que consistem em reduzir o volume de um sedimento com quantidade alta de água e baixa de sólido são necessários em diversos empreendimentos. Entre eles, o tratamento de águas, efluentes industriais, sanitários e dragagem de sedimentos. Com 15 anos de atuação no mercado e sendo este serviço um dos mais importantes em seu portfólio, a empresa Allonda Ambiental lançou a Torre de Desidratação de Lodo, equipamento totalmente desenvolvido no Brasil e que promete aumentar a produtividade do procedimento, bem como diminuir de forma expressiva os custos de operação.

A Allonda é a distribuidora no País do Geotube®, solução ambiental utilizada para a desidratação de lodos e sedimentos contaminados e para a contenção marinha. O produto pertence à empresa TenCate, companhia anglo-holandesa com mais de 300 anos de atuação e fabricante de geossintéticos. “Desde a introdução dessa tecnologia no País em 2004, nossos clientes sugeriram a reutilização do tecido do geossintético. Por isso, o lançamento da Torre de Desidratação foi uma quebra de paradigma, já que até o momento as alternativas para desidratação de lodo eram apenas em leito de secagem horizontal ou por meio de processos mecanizados, caros, complexos, com alto gasto energético e preços elevados de produtos químicos”, explica o diretor da Allonda Ambiental, Luiz Gustavo Burihan Escobar.

Para solucionar essas questões, a empresa trabalhou no desenvolvimento de um equipamento que não só fosse mais eficiente em seu propósito inicial, mas que também operasse de maneira simplificada e reduzisse os gastos. “Mudamos radicalmente o conceito de se projetar sistemas de desidratação. Queríamos tornar o Geotube® reutilizável e manter um baixo custo de implantação e operação. Conseguimos e temos o sistema reutilizável de menor gasto energético e químico do mercado, com alto poder de retenção, filtração e desidratação de lodo”, conta Escobar.

Diminuição nos custos

Apresentado ao mercado no mês de outubro durante a 11ª Fitabes (Feira Internacional de Tecnologias de Saneamento Ambiental), no Rio de Janeiro, o equipamento é o primeiro automático e com alto volume em formato de torre. O grande destaque, porém, é ter um custo energético baixíssimo se comparado aos sistemas de desaguamento mais difundidos no mercado, como prensa, centrífuga e screw press. Segundo a empresa, enquanto estes consomem em média quase 20.000 kW de energia anualmente, com a nova unidade o consumo cai para apenas 100kW por ano. “Essa é uma das principais vantagens da torre, primeiro porque não há necessidade de transferir com alta pressão o lodo para o Geotube®, reduzindo consideravelmente a potência consumida. Depois, porque a desidratação ocorre naturalmente pela ação da gravidade e pela porosidade adequada do geotêxtil, garantindo assim a separação sólido-líquido. O terceiro ponto é que como ocorre o adensamento dentro do Geotube® – e este vai aumentando até atingir o ponto exato para descarte em caçamba – a porta acionada por pistões é aberta por poucos segundos a cada ciclo de descarte e fechamento”, explica a gerente de engenharia da Allonda, Audri Lanza.

Independentemente da posição em que é utilizado, o Geotube® funciona com ciclos de enchimento, deságue, desidratação e consolidação do lodo, mas o formato vertical da unidade traz uma vantagem em relação ao uso já difundido no mercado. “O diferencial é que o equipamento mantém uma pressão de trabalho maior em função da altura que possui. Isso porque o maior Geotube®, quando utilizado na horizontal, tem  2,7 metros de altura máxima de enchimento, já a torre apresenta quatro metros de altura e também tem como premissa a reutilização do tecido, o que não ocorre no uso horizontal”, explica Escobar.

Outro quesito que contribui para enxugar gastos é em relação ao polímero utilizado para aglomerar os flocos e auxiliar no processo de desaguamento. “Para a torre usa-se menos polímero que nos demais procedimentos por não ser um equipamento rotativo. Assim evita-se a quebra de flocos. Já fizemos simulações e comprovamos que o consumo é menor do que em processos com centrífugas e prensas”, conta Lanza.

Um ciclo completo

São realizadas em média três bateladas para se completar um ciclo*, com tempo variável conforme as características do lodo:

  • Durante 120 minutos o lodo é bombeado através de tubulação de PVC até o topo da estrutura, na vazão de 23m³ por hora;

  • A massa entra no sistema Geotube®, que tem volume aproximado de 11m³. Aguarda-se 20 minutos;

  • Um segundo enchimento acontece durante 20 minutos, e se espera mais 20 minutos para o deságue;

  • A terceira batelada ocorre com bombeamento por 10 minutos e deságue por 20 minutos;

  • Após mais 20 minutos de espera inicia-se o descarte na caçamba, que dura cerca de 10 minutos, completando-se um ciclo de 240 minutos (quatro horas).

*Ciclo válido para lodo físico-químico com teor de sólidos de 1,5%.

Instalação e Manutenção

A torre é instalada em campo com caminhão tipo munk, e é possível incluir na aquisição o sistema de preparo e injeção de polímero e a bomba de lodo, também fornecidos pela Allonda. “A torre é construída em aço. Os perfis tubulares foram colocados paralelos, juntos e solidarizados por chapas metalizas para que trabalhassem como uma peça única estruturalmente q eu resistisse às cargas dinâmicas que são exercidas. Para acesso operacional, em todo o entorno da torre construímos uma plataforma em chapa metálica”, explica Lanza. Zincagem e pintura epóxi protegem a estrutura.

Com flexibilidade operacional, a torre tem 4,74 metros de largura, 4,45 metros de comprimento e 6,81 metros de altura, mas pode ser montada em diferentes dimensões para projetos específicos. Um painel de comando é instalado na própria estrutura para controlar as bombas e as unidades hidráulica e de polímero. “Para segurança da operação, existem dois sensores, um para posição de caçamba e outro para indicar que ela está cheia. Eles servem para que o lodo não seja descartado em locais inadequados – sobre um operário, por exemplo – e nem que haja extravasamento de lodo da caçamba, pois a porta não é acionada caso a mesma não seja detectada ou esteja cheia”, explica Lanza.

A empresa considera ter alcançado com o novo aparelho um modelo de operação simplificado. “Com o conhecimento básico do equipamento já é possível operá-lo. Em caso de falha operacional, como a não dosagem de polímero, é bastante simples reprocessar o sedimento e arrumar a operação”, diz o engenheiro e diretor da Allonda Ambiental. A manutenção diária inclui limpeza e verificação das áreas e tubulações da máquina, e a preventiva é realizada por um mecânico e um eletricista de acordo com os formulários disponíveis no manual de operação. “O tecido deve ser trocado após aproximadamente 200 ciclos, número que pode variar conforme a operação e o tipo de resíduo”, completa.

Vantagens

  • Fácil instalação e flexibilidade operacional;

  • Operação simplificada;

  • Aplicável a qualquer tipo de lodo;

  • Baixo custo energético, com consumo de apenas 0,06 kW por ciclo;

  • Eficiência na contenção e desidratação de massa sólida;

  • Consumo baixo de polímero;

  • Permite a reutilização do Geotube®;

  • Boa relação custo-benefício.

Funcionamento

Indicada para vazão de pequeno e médio porte, especialmente quando há limitações de espaço no local, a Torre de Desidratação Allonda pode ser utilizada na maioria das indústrias, em lodos físico-químicos e nas estações de tratamento de água e esgoto. Em grande escala, com vazão constante e alto fluxo, o Geotube® na horizontal é mais adequado.

Com o equipamento montado na posição final, ocorre a adição e hidratação do polímero. “Seu objetivo é aglomerar os flocos e auxiliar no processo de desaguamento. Existem diversos tipos de polímero: aniônicos, catiônicos, de alta ou médica carga, entre outros. Cada caso deve ser estudado conforme o lodo a ser processado e recomenda-se um ensaio em laboratório para confirmar a melhor aplicação”, descreve Audri Lanza.

Uma vez hidratado o polímero, é instalado o geossintético, que é preso por alças e suspenso por cabos de aço. “Das tecnologias existentes, o Geotube® sempre foi a que apresentou o melhor efluente drenado. Isso se dá pelo não rompimento do flóculo após mistura com o lodo. No caso da torre ocorre o mesmo por conta da baixa dosagem de polímero em comparação a outros sistemas mecanizados e devido à filtração, que ocorre de maneira homogênea, ou seja, o tecido é o mesmo em 365º do sistema, não havendo pontos diferentes do processo. Isso deixa a água conforme as normas ambientais”, explica Escobar.

Após a finalização do ciclo (veja quadro explicativo), ocorre o encaminhamento do efluente drenado e da massa sólida. “Quando há necessidade de fazer destinação em aterros, após a classificação de resíduos conforme as normas ambientais, o objetivo é desidratar o máximo possível, pois além de reduzir os custos de transporte e disposição, pode-se reutilizar a água. O percolado (resíduo líquido) coletado em canaletas na lateral da torre pode ser reaproveitado após o estudo da necessidade de cada indústria”, relata a gerente de engenharia da Allonda, Audri Lanza.

A Allonda já está em negociação com clientes e acredita que o custo-benefício será um dos grandes atrativos para quem pretende investir. “Nossa tecnologia inova nas questões mais relevantes de uma decisão de compra. Possui baixo valor operacional, já que não requer mão de obra especializada, bem como tem baixíssimo consumo de energia; tudo isso com os mesmos resultados dos equipamentos atualmente comercializados”, finaliza Escobar.

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