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Desidratação e secagem do lodo: o que são e qual a importância?

Desidratacao de Lodo

Você já parou para se perguntar o que acontece com a parte sólida proveniente das Estações de Tratamento de Água, de Efluentes e de Despejos Industriais?

Afinal, pouco vale realizar o tratamento se os resíduos não forem reaproveitados ou destinados à locais adequados. Um problema muito comum, encontrado pelas indústrias e segmentos de infraestrutura, é justamente o alto custo do transporte desse material. É aí que entram as soluções ambientais para lodo proveniente de ETA, ETE e ETDI. Ficou curioso? A gente explica agora algumas possibilidades.

 

Entendendo a desidratação e secagem do lodo.

Lodo são sedimentos gerados em diversos processos indústrias, bem como no tratamento de água ou de esgoto. Portanto, é um efluente sanitário ou industrial, maioritariamente composto por água, cuja parte sólida pode ser orgânica ou inorgânica.

E, para que o transporte desses sedimentos seja menos custoso, bem como tenha uma destinação mais nobre, é preciso que o lodo seja desidratado. Esse processo também pode ser chamado de desaguamento. Com ele, a água pode ser reaproveitada e o volume a ser transportado – que passa a ser composto apenas pela parte sólida – diminui consideravelmente. Afinal, qual é o sentido em poder gerar água de reuso e, ao invés disso, pagar para transportá-la? Outro detalhe é que, posteriormente após esse processo de deságue, através da secagem é possível reduzir ainda mais o volume do resíduo já desidratado.

 

Conheça as principais maneiras de desidratar o lodo.

O efluente não desaguado possui entre 95% e 99% de água livre em sua composição. Essa água livre é removida por processos físicos ou físico-químicos. Isso pode ser feito, por exemplo, através da utilização de Geotube®. Nesse caso, o sedimento é bombeado mecanicamente para o interior de grandes sacos cilíndricos feitos com tecido geotêxtil. É através do processo físico-químico exercido pelo bombeamento e do tratamento via polímero que o lodo é colocado contra a resistência do tecido. Assim, seus sólidos ficam retidos e a água livre é continuamente removida através dos poros do Geotube®.

Já no caso do Decanter Centrífugo, outro processo mecânico de desidratação, o lodo é bombeado em baixa pressão em uma centrífuga que possui 2500 vezes a força gravitacional. E, como ele é condicionado pela adição de produtos químicos, formam-se duas correntes: o lodo desaguado e água clarificada. Assim, os sólidos mais pesados são levados às paredes internas do tambor. Enquanto isso, a fase líquida escoa para a extremidade oposta.

Outro equipamento utilizado para realizar o desaguamento do lodo é o Filtro Prensa. Nele, o lodo úmido é bombeado em alta pressão e os sólidos ficam retidos e se acumulam em seu tecido filtrante. Já a água filtrada permeia o tecido e escoa através de canais existentes em suas placas.

Por fim, outra maneira de desaguar o lodo é através da Prensa Parafuso (ou Screw Press). Nela, um parafuso sem fim gira no interior de uma tela de aço perfurada, promovendo a deposição contínua de sólidos. Mas, antes de entrar na prensa, o lodo recebe polímero. Isso faz com que a lama floculada suba por um parafuso inclinado que gira dentro de uma tela em aço inoxidável. À medida que o lodo se move para a frente, o resíduo filtrado flui através da tela.

 

Conheça quatro maneiras de secagem do lodo.

Para que a quantidade de resíduos gerados pelas ETAs, ETEs e ETDIs seja ainda menor, existem formas de realizar sua secagem. Uma delas é por Leitos de Secagem. Nesse caso, tanques retangulares recebem o lodo e a redução da umidade ocorre pela drenagem da água livre e pela evaporação da água liberada durante o período de secagem. Esse é um processo semelhante ao das Lagoas de Lodo, ainda não muito difundidas no Brasil. Esse também é um processo natural, que consiste em dispor o lodo em lagoas situadas em reservatórios feitos em terra ou em depressões do terreno. Apesar dos dois métodos serem naturais, a principal diferença entre eles está em seu dimensionamento, assim como em alguns detalhes construtivos e de operação.

No processo de Secagem Solar, o lodo úmido é disposto em um leito de secagem coberto por uma estufa de plantas. O calor proveniente da radiação solar aliado a etapas mecanizadas de revolvimento de lodo realiza um processo natural de secagem.

Já o Tratamento Térmico, ou Secadores com Queima de Combustível, utiliza o calor para ativar a evaporação da água contida nos lodos residuais. As altas temperaturas podem ser transmitidas através do ar ou gás quente, do vapor, da água quente ou até mesmo de óleo. Quando o calor que algum desses elementos produz é transferido para a matriz de sólidos, ele promove a evaporação da água do lodo. Como esse processo libera gases consideravelmente tóxicos, eles devem ser tratados antes de sua emissão na atmosfera.

 

Dando ainda mais peso para a sustentabilidade.

Além de facilitar e baratear o transporte dos resíduos das ETAs, ETEs e ETDIs, a desidratação e secagem do lodo acaba por possibilitar que a água removida nos processos retorne ao sistema de tratamento. Ou seja, ela também se torna parte da água ou efluente tratado da Estação.

Para completar, alguns desses resíduos desidratados podem ser reaproveitados. Dependendo do processo de deságue e secagem, bem como da composição do lodo, eles podem virar matéria-prima para compostagem e fabricação de cimento, por exemplo.

 

Gostou desse artigo? Ajude a tornar a sustentabilidade um assunto do dia a dia.

A desidratação e secagem do lodo proveniente de ETA e ETE são processos de grandes proporções, com técnicas muito específicas. Apesar disso, esse artigo mostra que o conceito no fundo é sempre razoavelmente simples. Por isso, fazemos questão de expor que, mesmo assuntos aparentemente complexos a respeito da busca pela diminuição do impacto das indústrias no ambiente, podem ser fáceis de entender. Nós, da Allonda, queremos tornar a sustentabilidade um assunto do dia a dia. E, para isso, contamos com a sua ajuda. Pense, pergunte e fale sobre isso sempre que tiver a oportunidade. E que tal começar compartilhando esse artigo? Afinal, informação é a principal fonte de conscientização.

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