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Como diminuir o impacto da mineração com a valoração de rejeitos

A atividade de mineração tem inegáveis efeitos no meio ambiente, mas ao mesmo tempo é extremamente necessária. Para que seja possível retirar o minério desejado, é preciso realizar um trabalho de captação e beneficiamento, atividade que gera resíduos. Porém a valoração de rejeitos, ou seja, o reaproveitamento dessa sobra, é possível e pode ser benéfico para empresas, comunidades e meio ambiente.

Neste ponto é importante lembrarmos as diferenças entre resíduo e rejeito, então se tiver dúvidas a este respeito, sugerimos que clique neste link. Diversos estudos estão em andamento ou já foram concluídos com o foco em reaproveitamento dos rejeitos de mineração.

O acidente ocorrido em Mariana, além do mais recente em Brumadinho, foi um importante marco no investimento em soluções para a valoração de rejeitos. Abaixo listamos algumas das soluções encontradas.


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Rejeitos para a construção civil

Tomando como exemplo o minério de ferro, o rejeito que sobra do seu processo de beneficiamento é composto por minério de ferro, areia e água. Isso significa que não se trata de material tóxico, corrosivo ou inflamável.

A partir dele é possível fazer ladrilhos, blocos pré-moldados e artefatos cerâmicos, por exemplo. A Samarco incluiu em seu planejamento estratégico o aproveitamento de rejeitos e tem alguns casos interessantes. Em 2013 e 2014 blocos feitos com 30% de rejeito arenoso da empresa foram utilizados no calçamento do município de Guarapari, no Espírito Santo.

Já a Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais, desenvolveu uma série de produtos com a lama de rejeitos. Além de piso, tijolos e blocos, uma telha ganhou destaque. O material é produzido com o uso de fibras vegetais para potencializar a durabilidade e o conforto térmico, o que, segundo o responsável pela pesquisa, Rafael Farinassi Mendes, dá às telhas da Ufla “qualidade duas vezes superior às tradicionais do mercado”.

Pigmentação a partir de rejeitos

Outra utilização que pode ser dada aos rejeitos é na pigmentação de tintas. O pó que fica a partir do processamento dos rejeitos tem propriedades que são utilizadas na base de pigmentação de tintas. Pelotas para a geração de plástico ou concreto também podem ser feitos.

O shopping Boulevard, em Belo Horizonte, tem um espaço dedicado a essas soluções. Com ajuda do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, rejeitos foram aplicados na formação da primeira fazenda urbana da América Latina. Quem visita o local pode conhecer a produção de hortaliças e criação de peixes, além de utilizar os móveis fabricados com a madeira plástica, tudo produzido a partir de rejeitos.


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Desafios para a valoração dos rejeitos

Embora muitas soluções estejam em destaque, há alguns problemas a serem superados para que os rejeitos de mineração sejam reaproveitados em larga escala. Atualmente o principal deles é a viabilidade econômica.

Apesar de se tratar de produto com custo muitas vezes inferior ao que se pratica atualmente no mercado, a obtenção de matéria-prima e a localização da produção acabam dificultando a adoção de larga escala.

O projeto de lei PL 1496/2019, de autoria do senador Jaques Wagner, pretende auxiliar a viabilização da valoração dos rejeitos. A proposição busca tornar obrigatória a destinação dos rejeitos para a produção de insumos para a construção civil, que podem ser desde a doação a cooperativas de habitação para populações de baixa renda, doação a municípios, uso pela própria mineradora e até a comercialização dos produtos.

Além da obrigatoriedade, o texto também considera a aplicação de benefícios fiscais como a isenção de impostos para facilitar a produção dos insumos. A matéria atualmente está na Comissão de Serviços de Infraestrutura, aguardando relatório do senador Elmano Férrer.

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